sexta-feira, 27 de maio de 2011

As consequências da inflação

As principais consequências da inflação
  • A inflação elevada e volátil provoca incerteza e faz aumentar os riscos, facto que impede o crescimento económico.
  • A inflação dá origem à perda do poder de compra das pessoas, fazendo com que estas fiquem mais pobres.
  • A inflação elevada ou as expectativas de inflação elevada podem fazer com que as empresas passem a evitar mais os riscos e tenham menos propensão para realizar investimentos a longo prazo.
Na Alemanha, em 1923, os preços duplicavam de dois em dois dias e os trabalhadores eram pagos duas vezes ao dia para que pudessem comprar comida e bens antes de os preços voltarem a subir. Trata-se de um dos exemplos mais espectaculares da história no que diz respeito às consequências negativas da inflação.
A inflação elevada e volátil é prejudicial para a economia, consumidores e empresas. A manutenção da inflação a um nível baixo é um objectivo dos responsáveis pelas políticas económicas de todo o mundo.
Mas qual é realmente o significado da inflação para a sociedade?

Volatilidade e incerteza

Se as taxas de inflação forem baixas, estáveis e estiverem dentro das expectativas das empresas e consumidores, a inflação não causa grandes problemas. No entanto, um dos efeitos importantes da inflação é a incerteza que causa quando a taxa de inflação é volátil, ou seja, quando as variações de preços são muito acentuadas ao longo do tempo. A inflação volátil pode ser provocada por fortes oscilações da oferta e/ou procura na economia, por exemplo, as matérias-primas como os produtos agrícolas ou o petróleo, elementos fundamentais para muitos aspectos da vida e trabalho diários.
As taxas de inflação voláteis e imprevisíveis dificultam a realização de planos a longo prazo por parte dos consumidores e empresas. Assim, desencorajam os investimentos e as poupanças, criando ineficiências no mercado.

Inflação e consumidores

Um dos efeitos mais importantes da inflação é o facto de reduzir o valor do dinheiro com o passar do tempo, o que significa que o dinheiro e o dono do dinheiro registam uma perda do "poder de compra". Se o preço do pão subir todos os anos, então, com o mesmo dinheiro pode comprar-se menos pão ou será necessário mais dinheiro para se comprar a mesma quantidade de pão. Genericamente falando, quando os preços sobem, o rendimento das pessoas perde o seu poder de compra porque elas passam a poder comprar menos bens, passam menos férias no estrangeiro e, em geral, sobrevivem com menos se o seu rendimento não subir ao mesmo ritmo. Esta perda do poder de compra afecta não só os consumidores e os agregados familiares, como tem também consequências para as empresas e governos.
Outra das consequências da inflação elevada ou das expectativas de inflação elevada é o facto de as pessoas têm menos propensão para poupar dinheiro para o futuro. Isto acontece porque a inflação poderia reduzir o poder de compra das poupanças ao longo do tempo. Neste caso, as pessoas que poderão, na realidade, pretender poupar para o futuro preferem, na prática, gastar o seu dinheiro agora.

Inflação e mutuários

A maior parte das pessoas aspira a ter a sua própria casa e, por isso, a forma mais comum de concretizar esta aspiração é pedir dinheiro emprestado a um banco através de uma hipoteca. As hipotecas são pagas ao longo de muitos anos e o nível das taxas de juro está geralmente relacionado com a taxa de inflação. Contudo, se houver incerteza acerca da inflação futura, os mutuantes poderão pretender "segurar-se" contra uma inflação futura superior às expectativas por via do aumento das taxas de juro ou concedendo os empréstimos com uma taxa de juro variável. Por isso, embora os reembolsos do empréstimo possam parecer razoáveis no momento da concessão do empréstimo, com uma taxa de juro variável, uma taxa de inflação volátil em anos posteriores pode levar a subidas acentuadas nas prestações regulares, montantes que saem do orçamento do agregado familiar. A perspectiva de uma taxa de inflação volátil confere um elevado grau de incerteza àquilo que é, eventualmente, a maior de todas as despesas dos agregados familiares. Consequentemente, quando a inflação é elevada e volátil, os mutuários deparam-se com uma maior incerteza e, por vezes, custos mais elevados – quer sejam famílias jovens que compram a sua primeira casa, pequenas empresas que pretendem expandir-se, quer sejam governos que pretendem obter financiamento para a construção de hospitais ou estradas.
Para os mutuários, uma inflação elevada e volátil tem como consequência uma tomada de decisões económicas mais arriscada, custos mais elevados e escolhas mais limitadas.

Inflação e empresas

Geralmente, para se desenvolverem e crescerem, as empresas precisam de condições económicas positivas, incluindo uma inflação baixa e estável. Isto explica-se porque as empresas planeiam as suas actividades e investimentos, como em novas máquinas e unidades fabris, com alguns anos de antecedência. De facto, para as grandes empresas, o planeamento dos investimentos futuros pode abranger décadas. Se a inflação for elevada ou se houver perspectivas de que venha a ser elevada, as empresas ficam perante incertezas muito grandes porque a variação do valor do dinheiro significa que as empresas não obtêm segurança quanto aos seus custos e receitas futuros. Em resposta, passam a ter uma ponderação muito maior.
A inflação elevada ou as expectativas de inflação elevada podem provocar uma subida dos custos das empresas mais rápida que os seus ganhos de produtividade e levar a que os empresários passem a evitar os riscos e sejam menos abertos a investir no futuro, reduzindo, assim, a competitividade. Este facto tem um impacto negativo no crescimento económico e no emprego.

A inflação e a UE

As décadas antes da introdução do euro caracterizaram-se por uma inflação elevada e volátil, custos de obtenção de crédito elevados e criação de emprego relativamente baixa. Esta é a razão por que um dos objectivos primordiais da UE e dos seus Estados-Membros é manter a inflação baixa e estável. Durante os preparativos para a introdução do euro e, subsequentemente, após a sua adopção, foi criada uma conjuntura com uma inflação baixa e estável.

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