RIO - A inflação no Brasil já estourou o teto da meta fixada para este ano, de 6,5%, em abril. Uma situação preocupante, principalmente numa comparação com países vizinhos. A inflação brasileira acumulada em 12 meses só perde para a de Venezuela (27,2%), Argentina (9,7%) e Uruguai (8,3%), que não têm regime de metas. Apesar de também sofrerem com a alta das commodities e o aquecimento da economia, a inflação nos países latinos com regime de metas e câmbio flutuante está inferior.
No México, no Chile, na Colômbia e no Peru, a variação de preços em 12 meses ainda não chegou a 4%. No Brasil, encaminha para 7%. Corte de gastos públicos ainda insuficiente e demora na subida de juros são alguns fatores apontados por especialistas para essa situação. As metas também são menores. Enquanto aqui o índice pode chegar a 6,5%, nos vizinhos pode alcançar no máximo 4% ao ano, com intervalo de um ponto percentual para cima ou para baixo. No Brasil, são dois pontos de margem. A meta mais alta no Brasil, segundo especialistas, é um complicador.
- O Brasil destoa do grupo. O ponto de partida já é mais alto. Estamos falando de países com histórico de instabilidade. São metas e intervalos significativamente mais baixos - afirma Alexandre Maia, economista-chefe da GAP Asset Management.
O economista diz ainda que o Brasil, entre os países com regime de metas, é o único em que a inflação está superior à de 2008, antes da crise global.
- O Brasil saiu rápido da crise, mas sua inflação caiu de 6% para 4%. Pouco, perto dos vizinhos. Com a aceleração da economia, a inflação já partiu de um patamar mais elevado - disse Julio Callegari, economista que acompanha Brasil, Colômbia e Peru no JP Morgan.
Outra diferença: nos vizinhos, a pressão é mais concentrada nos alimentos, diz Callegari. A medida disso são os núcleos de inflação, que retiram os itens mais voláteis. No Brasil, está em 6%, perto da inflação cheia de 6,51%. No Chile, a inflação está em 3,4%, e o núcleo, em 1%.
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